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O que significa criar valor num projeto imobiliário para além do preço por metro quadrado?
O valor de um projeto imobiliário vai muito além do preço por metro quadrado. Localização, arquitetura, qualidade, sustentabilidade e experiência são fatores que fazem a diferença.
Durante muito tempo, o preço por metro quadrado foi uma das principais referências para avaliar um projeto imobiliário. Continua a ser um indicador relevante, tanto para quem desenvolve como para quem compra ou investe. Mas olhar apenas para este número é insuficiente para compreender aquilo que verdadeiramente determina o valor de um imóvel.
Dois projetos podem estar localizados na mesma zona, apresentar tipologias e áreas semelhantes e, ainda assim, proporcionar experiências e níveis de qualidade muito diferentes. É precisamente nessa diferença que começa a construção de valor.
Num mercado mais exigente, criar valor implica pensar o projeto como um todo: desde a escolha da localização e a forma como o edifício se relaciona com a cidade até à arquitetura, aos materiais, à eficiência, à funcionalidade dos espaços e à capacidade de responder às necessidades de quem os vai habitar.
A localização continua a importar, mas o contexto também
“Localização, localização, localização” continua a ser uma das expressões mais repetidas no imobiliário. E por boas razões. Mas uma boa localização já não pode ser avaliada apenas pela morada.
A proximidade a transportes, comércio, escolas, serviços, espaços verdes e zonas de lazer influencia diretamente a experiência quotidiana de quem vive num determinado lugar. A facilidade com que é possível fazer parte da vida do bairro e deslocar-se pela cidade também contribui para a atratividade de um imóvel.
Há ainda uma dimensão menos imediata: o potencial de evolução da própria zona. Projetos inseridos em áreas em regeneração podem participar ativamente na transformação do território, contribuindo para recuperar edifícios, trazer novos residentes, dinamizar comércio e criar novas centralidades.
Criar valor começa, por isso, antes da construção. Começa por compreender o lugar e aquilo que um novo projeto pode acrescentar-lhe.
Arquitetura que responde à forma como vivemos
A área de uma casa diz-nos quantos metros quadrados existem. Não nos diz necessariamente como esses metros quadrados são utilizados.
Uma planta bem pensada pode fazer uma diferença significativa na perceção e utilização do espaço. A circulação, a entrada de luz natural, a relação entre áreas sociais e privadas, a existência de arrumação ou a possibilidade de adaptar uma divisão a diferentes funções são elementos que influenciam diretamente a experiência de habitar.
Num contexto em que as formas de viver e trabalhar estão em transformação, a flexibilidade ganha também importância. Uma divisão que hoje funciona como escritório poderá amanhã ser um quarto. Uma área exterior pode prolongar a zona social da casa. Espaços comuns podem complementar aquilo que não é necessário replicar dentro de cada habitação.
A qualidade de um projeto está, muitas vezes, nestas decisões que não aparecem imediatamente numa comparação de preço por metro quadrado, mas que se tornam evidentes no dia a dia.
Qualidade que se mantém ao longo do tempo
Criar valor não significa apenas causar uma boa primeira impressão. Significa também pensar na forma como o imóvel irá envelhecer.
A escolha de materiais, a qualidade da construção e das soluções técnicas, a facilidade de manutenção e a durabilidade dos acabamentos têm impacto no desempenho de um edifício ao longo dos anos. Uma decisão tomada durante a fase de desenvolvimento pode representar maior conforto, menores necessidades de intervenção e uma melhor preservação do imóvel no futuro.
Esta perspetiva de longo prazo é particularmente importante no imobiliário. Ao contrário de muitos outros bens, um edifício é pensado para permanecer durante décadas e atravessar diferentes ciclos económicos, tendências e gerações.
O verdadeiro valor de um projeto também se mede pela sua capacidade de continuar relevante depois de desaparecer o efeito de novidade.
Sustentabilidade como parte da qualidade
A sustentabilidade deixou de poder ser encarada como uma característica adicional de um projeto. É cada vez mais uma componente da sua qualidade.
Eficiência energética, isolamento térmico e acústico, aproveitamento da luz natural, gestão eficiente da água ou escolha adequada de materiais podem traduzir-se numa redução do consumo de recursos e, simultaneamente, num maior conforto para os residentes.
Existe, portanto, uma relação cada vez mais direta entre sustentabilidade e valor. Um edifício mais eficiente pode representar menores custos de utilização, maior conforto e melhor preparação para exigências regulamentares e ambientais futuras.
Mais do que acrescentar soluções isoladas, o desafio está em integrar estes princípios desde a conceção do projeto.
O valor também está na experiência
Comprar uma casa significa comprar metros quadrados, mas significa também escolher uma determinada forma de viver.
Uma varanda onde é possível passar tempo, um jardim comum, uma entrada bem desenhada, estacionamento adequado, espaço para bicicletas ou simplesmente uma relação mais agradável entre o edifício e a rua podem parecer elementos secundários numa ficha técnica. Na prática, contribuem de forma muito concreta para a experiência diária.
É por isso que o valor de um projeto não termina à porta de cada apartamento. Estende-se às áreas comuns, ao edifício, à envolvente e à forma como todos estes elementos funcionam em conjunto.
Quando um projeto consegue antecipar estas necessidades, deixa de oferecer apenas uma determinada área numa determinada localização. Oferece uma experiência de habitação mais completa.
Criar valor é pensar no que permanece
O preço por metro quadrado continuará a ser uma referência importante no mercado imobiliário. Mas não consegue, sozinho, explicar por que razão determinados projetos mantêm a sua atratividade e relevância ao longo do tempo. Criar valor implica tomar decisões que nem sempre são imediatamente traduzíveis num número: escolher melhor, desenhar melhor, construir com qualidade, compreender o território e antecipar a evolução das necessidades das pessoas.
Num setor em que cada projeto deixa uma marca duradoura na cidade, talvez a questão mais relevante não seja apenas quanto vale hoje cada metro quadrado, mas o que foi feito para que esse metro quadrado continue a ter valor amanhã.

